
O Rio Grande do Norte fechou o primeiro semestre de 2026 com saldo de apenas 716 empregos formais, resultado de 122.902 admissões e 122.186 desligamentos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O desempenho representa uma queda de 89,4% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram criadas 6.744 vagas com carteira assinada, deixando o estado com o segundo pior resultado do Nordeste, à frente apenas de Alagoas.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, da Rádio 94 FM, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio-RN), Marcelo Queiroz, afirmou que a desaceleração é consequência de uma combinação de fatores, entre eles o alto nível de endividamento das famílias, a inflação, os juros elevados e a falta de mão de obra qualificada.
Segundo o dirigente, esse cenário reduz o consumo e leva os consumidores a adiarem compras que dependem de financiamento, como veículos, motocicletas e materiais de construção.
Apesar da retração no emprego formal, Marcelo Queiroz destacou indicadores positivos em outros setores da economia. Um deles é o turismo, impulsionado pelo movimento no Aeroporto Internacional de Natal, que registrou 1,387 milhão de passageiros entre janeiro e junho deste ano, crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2025. O volume é o maior já registrado para um primeiro semestre desde o início das operações do terminal, em 2014.
Durante a entrevista, ele também ressaltou o avanço da informalidade como uma das características do atual mercado de trabalho.
“Tudo isso gera emprego, gera renda. Mas existe também o emprego informal, que é o que vem crescendo muito ultimamente”, afirmou à Rádio 94 FM.
A expectativa da Fecomércio-RN é de recuperação da atividade econômica no segundo semestre, impulsionada por datas comerciais como o Dia dos Pais, além das vendas de fim de ano e das contratações temporárias típicas do período.
A entidade também aposta na qualificação profissional para reduzir a distância entre as vagas disponíveis e a formação dos trabalhadores. Em 2025, o Senac contabilizou mais de 38 mil matrículas em cursos de capacitação, sendo 21 mil delas gratuitas.
Marcelo Queiroz ainda comentou sobre a situação fiscal e financeira do Governo do Estado e informou que a Fecomércio-RN pretende receber, entre os dias 17 e 19 de agosto, os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas para o governo estadual. Na ocasião, será apresentado um estudo elaborado com base na opinião dos empresários, cobrando propostas voltadas às contas públicas, ao comércio e ao turismo.
Na avaliação do presidente da federação, o turismo potiguar ainda enfrenta dificuldades para atrair novos investimentos. Apesar da estrutura hoteleira existente na Via Costeira e em Ponta Negra, o setor passou cerca de duas décadas sem grandes empreendimentos. Segundo ele, entraves relacionados ao licenciamento e à segurança jurídica fizeram investidores desistirem de projetos no estado.
Outro desafio apontado foi o crescimento do comércio eletrônico. Para Marcelo Queiroz, os empresários locais precisam investir na melhoria do atendimento, dos produtos e dos serviços para competir com plataformas nacionais e internacionais. Ele também defendeu campanhas de valorização da produção potiguar, destacando que as compras realizadas no estado contribuem para manter a arrecadação e a geração de empregos locais.